Imagine um bêbado se preparando para uma corrida de automóveis.
Ao invés de parar de beber, ao menos durante os dias de preparação para a corrida, ele continua enchendo a cara.
Todos ao seu redor dizem:
Fique sóbrio! Você vai bater o carro e se machucar!
Mas não. Ele continua bebendo, enquanto os outros corredores se preparam corretamente e disciplinadamente.
Você acha que ele merece ganhar esta corrida?
Pois bem.
Muita gente vai me criticar por dizer isso, mas aqui vai:
A melhor coisa para o Brasil este ano será Copa do Mundo dar errado.
Nas redes sociais, à medida que a Copa se aproxima, estou vendo a onda de críticas e o hashtag #NaoVaiTerCopa dando lugar a pensamentos assim:
Tá certo que foi uma decisão ruim, que teve ladroagem, etc. Mas agora já foi, vamos torcer para que tudo dê certo. Vamos mostrar para o mundo a nossa alegria, etc, etc, etc…
Em outras palavras: é a cultura do “relaxa e goza” aparecendo mais uma vez.
O aparente sucesso desta Copa do Mundo será a coroação dos responsáveis por trazer este evento para o Brasil como heróis.
A Copa dando certo será a confirmação de que o jeitinho brasileiro resolve qualquer problema, até mesmo os de proporções épicas.
O sucesso da Copa será um carimbo de aprovação para as decisões tomadas durante a preparação, como a remoção das famílias pobres e a demolição de seus lares.
Uma Copa do Mundo de sucesso será munição para os que não querem ver o Brasil ir para a frente.
Seria uma vergonha a Copa fracassar? Sim.
Mas considerando todas as vergonhas às quais somos submetidos, como a nossa pobreza, infraestrutura, saúde pública, saneamento, esta seria a menor delas.
É preciso que comportamentos irresponsáveis e infantis resultem em fracassos inegáveis.
É o único jeito de se mostrar ao bêbado que beber e dirigir não se misturam.
